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A Biblioteca da Inês

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Sex | 31.08.18

"Tirar & Pôr", um livro com movimento

Inês Martelo

Hoje o livro que vos trago é o "Tirar e Pôr", da autora Lucie Félix, publicado pela Orfeu Mini, pertencente à editora Orfeu Negro.

E é um livro com movimento porquê?

Porque no seu interior, ao contrário da maioria dos livros, não há uma estória textual. Há sim, em vez disso, peças com formas geométricas simples - círculos, triângulos, quadrados ou retângulos, a mais distinta é a forma de uma nuvem - que vão desencaixando na página em que se encontram e voltam a encaixar-se na página seguinte. Em todas as páginas apenas se encontra uma única palavra - verbos, transparecendo ações -, que se relaciona sempre com a palavra que consta na página seguinte ou anterior - são opostos uma da outra. Exemplificando, o primeiro par de palavras corresponde precisamente ao título do livro "tirar" e "pôr".

Este é um livro com uma grossura considerável, incluindo a lombada, as peças e cada uma das páginas, sendo um livro composto por um cartão grosso. Não existem guardas, pois assim que o livro é aberto inicia-se logo a experiência. É, no entanto, curioso que a primeira e última página se dediquem a instruções, em letras maiúsculas, assemelhando-se a carimbagens, que indicam como começar e terminar o livro. Passo a citar a primeira página:

 

"PARA BRINCARES COM ESTE LIVRO,

RETIRA A PEÇA DE CARTÃO

QUE ESTÁ NA PÁGINA DA DIREITA.

SEGURA-A BEM E VIRA A PÁGINA.

VAIS ENCONTRAR O SÍTIO CERTO

PARA A ENCAIXAR.

E JÁ ESTÁ!

AGORA É SÓ CONTINUAR!"

 

Na minha opinião, este é um livro que, por ter uma abertura tão grande, permite ser explorado de diferentes maneiras. Pela sua resistência, sugere que pode (e deve) ser explorado, mesmo pelas mãozinhas mais pequenas. O ideal é mesmo é explorar individualmente ou no máximo com grupos de 2/3 crianças, verbalizando as palavras que constam em cada página e até, quem sabe, talvez com os mais velhos, desconstruir o significado de cada uma delas, ou seja, o que significa cada uma dessas ações, ou até mesmo construir uma estória que una todas essas palavras.

No final, é desejável que a(s) própria(s) criança(s) faça um rewind, isto é, voltem a percorrer o livro, desta vez do fim para o início, recolocando as peças nos seus lugares originais. Não só é uma forma de recapitular os opostos e verbos, como também de incentivar à responsabilização, deixando o livro pronto para ser explorado novamente.

Pessoalmente, nunca levei este livro para o contexto sala, uma vez que tenho receio do impacto que a exploração dos meus tesouros pode ter, sobretudo no desgaste das peças e encaixes. Comprei-o na Feira do Livro de Lisboa no ano passado, 2017,a pensar precisamente na creche e na exploração fantástica que este livro proporcionaria, no entanto nunca tomei coragem para o levar. Acho que, para já, permanecerá na minha biblioteca.

Para quem tiver mais coragem do que eu, este é um livro fantástico para desenvolver projetos e/ou explorações acerca de divesos temas, tais como:

  • Cores;
  • Formas geométricas;
  • Opostos;
  • Luz.

Uma simples forma de explorar após o livro as ações referidas, pode ser através de um cesto das surpresas artilhado com os chamados materiais de desperdício - tampas, garrafas, caixas de ovos, papéis de diferentes texturas e cores, caixas de cartão, tecidos variados, entre outros. 

Conhecem este livro? Têm diferentes ideias para desenvolvê-lo? Partilhem comigo!

Aqui vos deixo uma curta animação, para poderem dar uma vista de olhos a partir da vossa casa.

 Bom fim-de-semana para todos!