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A Biblioteca da Inês

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Ter | 28.08.18

"Os Três Terríveis Porquinhos", a versão marota dos nossos queridos e fofinhos porquinhos

Inês Martelo

Olá a todos outra vez!

Para começar esta semana trago-vos outra maravilhosa obra presente na minha biblioteca: "Os Três Terríveis Porquinhos", texto e ilustrações da autoria de Liz Pichon, publicada pela Editora Educação Nacional e acrescentando ainda que, na altura em que o comprei (junho de 2011), encontrava-se incluído no programa LER+.

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 Ao contrário do último livro que vos trouxe, "Palhaço", este é um livro com imenso texto e com diversos recursos para o animar, tais como dispersão de texto entre as ilustrações, ondulação das frases (sobretudo das que dizem respeito ao soprar), expressões e/ou palavras com efeito negrito, entre outras, o que desperta alguma atenção ao código escrito por parte das crianças.

Este é um livro que reflete outra perspetiva do conto tradicional que todos conhecemos, revelando um dark side dos nossos porquinhos. A estória inicia-se com a mãe Porquinha a passar-se da marmita com os seus maravilhosos rebentos, que eram nada mais, nada menos, do que a verdadeira personificação do termo porquinho: marotos, irresponsáveis, desarrumados, insensíveis, egoístas, preguiçosos. Então a mãe resolveu pôr um ponto final e deixá-los responsáveis por si mesmos, parecendo-me a mim que esta seria uma estratégia para lhes dar a motivação para que crescessem. Só que, claro está, não é num piscar de olhos que eles irão mudar, havendo um fantástico lobo - simpático, altruísta, cheio de compaixão - que os tenta ajudar, mas claro... não será fácil! Deixo-vos a sinopse da contracapa:

"Os três terríveis porquinhos são muito travessos e estão sempre a fazer asneiras. Cansada das suas constantes tropelias, a sua mãe decidiu enviá-los à sua própria sorte. Muito preguiçosos, os dois primeiros porquinhos construíram as suas casas, roubando plaha e ramos. Por sua vez, o terceiro porquinho instalou-se sem autorização numa capoeira.

Que porquinhos tão terríveis! Será que o simpático lobo conseguirá mostrar-lhes o bom caminho?"

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É um livro com ilustrações super amorosas e com cores vibrantes, de tal maneira que até o porquinho punk nos parece absolutamente fofinho, e que sugerem a oportunidade para dramatizar, uma vez que inserem frequentemente momentos de discurso direto. As dimensões são as regulares para um livro infantil, assim como a sua grossura de lombada e páginas de expessura fininha. 

Não só pelas características físicas do livro, mas também pela duração da estória, penso que será mais adequado a crianças a partir dos 3 anos, até porque também é a partir daqui que começam a conseguir ter algumas consciência do que é estar no lugar do "outro" e assim conseguir comparar diferentes perspetivas. Este é um enredo que nos vem contar outra versão da mesma estória, a clássica de "Os Três Porquinhos", mostrando que não existem pessoas/personagens boas ou más, mas sim que cada um de nós tem um bocadinho de bom e de mau dentro de si mesmo.

Para desenvolver esta estória, considero fundamental entrelaçá-la com a original e clássica e penso que estas duas dinamizações são excelentes para se enquadrarem num projeto de dramatizações. Porque não criar uma pequena sessão de teatro em que são eles que contam esta estória? Podem ser convidados outros amigos da mesma sala, amigos de salas vizinhas ou até mesmo as famílias. Podem também ser escolhidas diferentes formas de dinamização: tanto é possível que as crianças sejam os atores e criem os seus próprios adereços e cenários, como podem ser construídos com eles fantoches - idealmente a partir de materiais de desperdício . Na minha opinião é  importante que, caso se opte por este tipo de projeto, os livros sirvam de base para a construção da estória, mas que a mesma se baseie no reconto feito com o pequeno grupo envolvido neste projeto.

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Mas este é um tema que dá pano para mangas e que consegue ser explorado à luz das diferentes áreas de desenvolvimento, uma vez que esta estória permite ainda:

  • Construir as regras da sala e desenvolver valores sociais e morais;
  • Explorar os materiais usados nas casas, falar sobre os recursos da natureza, testar quais os mteriais que são mais resistentes ao vento e/ou quais os que flutuam na água;
  • Conhecer diferentes técnicas de expressão plástica para construir os fantoches/adereços para a dramatização e/ou para registar a estória;
  • Elaborar o reconto escrito, incluindo um guião para a dramatização;
  • Conhecer canções sobre porquinhos , podendo também explorar sons mais agudos e sons mais graves (porquinhos vs. lobo);
  • Criar uma mesa/caixa/espaço de exploração dos sentidos dentro do tema dos três porquinhos;
  • Experimentar o código escrito e desenvolver a consciência fonológica, através da construção de uma caixa de palavras, ilustrando as palavras-chave da estória, brincando com as maiúsculas/minúsculas, entre outros.

Todas estas ideias e muitas mais estão recolhidas por mim na minha conta do Pinterest, na qual tenho um álbum unicamente dedicado a este tema. Podem espreitá-lo aqui.

E vocês? Qual a versão de que gostam mais: os certinhos ou os travessos?