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A Biblioteca da Inês

A Biblioteca da Inês

Qua | 22.08.18

Os livros e a famosa secção infantil

Inês Martelo

Foi desde cedo que fiquei por livros e pelo simples ato de ler. Tive alguma sorte, pois ainda os meus colegas se interessavam pela Banda Desenhada da Turma da Mónica ou do Tio Patinha, já eu gostava de ler livros com mais texto e menos figuras, como, por exemplo, "A Lua Não Está À Venda" da ilustre Alice Vieira. Ler foi, desde cedo, uma atividade na qual me perdia horas a fio, sem dar conta do tempo a passar, sempre com a intenção de ler só mais uma página... Quem gosta de ler nunca deu por si às 4h da manhã e o livro quase a terminar, a pensar que agora é que tinha mesmo de fazer o "jeitinho"?

Por via das circunstâncias e pelo rumo que a vida foi tomando, os livros infantis nunca saíram do meu radar, antes pelo contrário, foram se instituindo como uma curiosidade, afinal de contas estava apenas a apropriar-me de ferramentas de trabalho. Pouco a pouco, a secção infantil passou a estar no meu itenerário de todas as livrarias, bancas ou Feiras do Livro , deixando de ser somente uma "cena do trabalho" para me tornar uma bibliofila assumida, neste caso, com uma fixação forte nos livros para crianças.

Atualmente tenho aquilo a que considero uma mini biblioteca de livros infantis e todos eles foram lá parar após me terem conquistado. Há aqueles muito "sem vergonha", que são facéis - basta olhar para a capa e fico rendida, ainda folheio duas ou três páginas iniciais para ver se iludo quem está à minha volta, mas na verdade desde o primeiro segundo que tinha decidido que o ia comprar.

Depois há os outros, os que parecem simpáticos - aqueles que preciso de manusear, "ler na diagonal", analisar as ilustrações. E ainda nesta categoria, há aqueles que me convencem neste primeiro contacto e há os outros que vão para a lista de espera... Aquela que nunca acaba, aquela que está em constante adição e que dá tanto jeito a quem precisa de inspiração para me dar um presente. E não se iludam, porque, mais tarde ou mais cedo, acabam sempre na minha mão.

Após chegarem à biblioteca, podem ter muitos destinos. Podem ser aqueles que saiem e passam umas temporadas no meu trabalho, ou os que me servem de consolo para os dias cinzentos, ou até aqueles que são tão especiais que só podem ser mexidos por mim e que por isso estão mais escondidos, entre aqueles de lombadas largas e coloridas.

A minha biblioteca é assim, um dos meus tesouros pessoais mais ricos que posso ter e por isso gostava de partilhar um bocadinho do que lá está com todos os que estiverem nessa disposição.

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